Empresas familiares: “É preciso separar os papéis exercidos para criar a continuidade”, diz especialista

Estima-se que apenas 04% a 08%  das empresas familiares sobrevivem até a quarta geração. Entre os fatores que podem ser cruciais para a não continuidade de um negócio nesse ramo é a falta de equilíbrio entre os sistemas que compõem o contexto: família, patrimônio, empresa.

Especialista em transição de gerações, Wagner Luiz Teixeira, da Höft consultoria, palestrou no Conexão Cindes de Agosto com o tema  “Sucessão Familiar: como transformar empresas familiares em famílias empresárias, construindo processos de sucessão e a continuidade”. Em entrevista a Findes, ele deu dicas valiosas de como manter o sucesso de uma empresa familiar e sobre a importância de se preparar um sucessor.

– Quais os fatores levam a apenas 04% a 08% das empresas familiares chegarem quarta geração?

De 25 a 2o% das empresas passam para a segunda geração. De 12% a 14% da segunda para a terceira geração. E de 04% a 08% chegam a quarta. Isso acontece por causa da dinâmica desse tipo de empresas que mistura os aspectos familiares, patrimoniais e empresariais. Quando você está na primeira geração, quem gerencia isso é o fundador. Então, ele contempla a família, contempla o patrimônio, pensa no investimento e dirige a empresa. Quando isso passa para a segunda geração, primeiro que o modelo de sucesso deles é individual e, a partir dali, eles vão ter uma relação societária que é coletiva. Cada um deles, se tentar imitar o pai, vai naufragar. Porque agora há uma sociedade que não existia. Não funciona um modelo existente para o presente. Além disso, você tem questões de família que interfere nos outros sistemas. Na família, o que predomina é o afeto, a emoção e o amor. Se você levar isso para dentro da empresa vai ter um problema. O que predomina na empresa? Lógica e razão. Se você leva isso para dentro da família, também não vai funcionar. Mas, tem horas que isso se mistura. Então, precisamos criar fronteiras entre esses sistemas para dar continuidade a esse negócio.

– Seria, então, uma busca por equilíbrio?

Exatamente, buscar um equilíbrio entre eles e que cada característica permaneça dentro do sistema de origem, sem que um invada o espaço do outro.

– Quais os caminhos você aponta para empresas familiares que desejam melhorar a sua gestão?

A primeira questão é criar critérios, regras e separar esses papeis. Porque muitas vezes a gente se depara com algumas questões dentro de uma empresa familiar que perguntamos: “você respondeu isso como chefe? como dono? como pai? como irmão? essa resposta foi dada como o que?” Aí ouvimos a resposta: “como Executivo.” “Mas, você faria para qualquer outro funcionário da empresa?” “Não”. Então, essa pessoa não respondeu como um executivo. É assim que começamos a trabalhar essa pessoa para conhecer os três papéis que ela desempenha (o de pai, de sócio e de executivo) para que comece a separá-los. Isso é o que chamo de promoção de disciplina. A empresa familiar sofre da mistura da casa: horários de reunião, pautas, registros, isso começa a trazer um novo patamar de comunicação na família e na empresa.

– Quais são os desafios do planejamento de sucessão?

Existem vários, mas vou tentar trazer um desafio de cada geração. A geração do sucedido tem um grande desafio: o desapego, que é começar a delegar a nova geração as atividades que ele mesmo executava antes e criar um projeto de vida diferente do que ele tinha. Só que esse projeto precisa ter algo relacionado a realização. Porque muitas vezes fala: “vou parar, vou pescar”. Não dá certo, o peixe não reclama, não briga, só esperneia depois fica calminho. Precisa procurar algo que dê realização. Sempre orientamos que essa pessoa tenha uma maior participação em entidades de classe, porque tem uma contribuição grande.

Para a nova geração é o diálogo entre os membros da nova geração, porque o convívio será nessa linha. Muitas vezes, a nova geração fica muito preocupado com o que o pai fazia. Ele precisa traçar o próprio caminho.

– Trazer gestores de fora da família é uma boa alternativa?

Depende para o que. Existe uma coisa que é comum acontecer: “vamos trazer uma pessoa de fora para profissionalizar a empresa”. Nesse caso, sai a família e contrata-se um profissional de fora. Mas, os membros da família não são profissionais? Quem construiu até agora não era profissional? Se for para esse tipo de situação, não vemos como favorável, porque não está pacificada.

Mas se vem para contribuir para um processo que haja diálogo, justificativa, análise, questionamentos e que isso vai trazer uma contribuição para o crescimento, para somar, não vejo problema.

Sobre Wagner Luiz Teixeira

Wagner Luiz Teixeira também é especialista em estruturação de protocolos societário familiar e implantação de estruturas de governança. Apresentou casos brasileiros na Conferência Mundial do Family Business Network (FBN). É co-autor do livro “Família, Família negócios à parte” e coordenador e co-autor do livro “Família Empresária de A a Z – descomplicando as expressões nas empresas familiares”.

 

Confira aqui mais 5 dicas para empresas familiares

 

Por Cinthia Pimentel e Fiorella Gomes

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Conexão Cindes aborda desafios para a sucessão em uma empresa familiar

Como passar uma empresa adiante dentro da própria família? Qual o maior desafio da sucessão em uma empresa familiar? Quais pilares devem nortear esse processo? Todas essas dúvidas podem ser tiradas no “Conexão Cindes”, edição de Agosto, que acontece no auditório da Findes, no próximo dia 23, a partir das 18h30, com palestra de Wagner Luiz Teixeira, especialista em transição de gerações e sócio da Höft, empresa de consultoria no assunto.

Com o tema “Sucessão Familiar: como transformar empresas familiares em famílias empresárias, construindo processos de sucessão e a continuidade”, Teixeira vem ressaltar a importância em se preparar sucessores e realizar um planejamento para quando essa hora chegar, com estratégias a serem adotadas em curto, médio e longo prazo.

E esse processo vai muito além das questões administrativas, transcendendo para as questões de conflitos familiares e adoção de mecanismos para uma comunicação eficiente entre os membros da família.

Em seus estudos, Teixeira sempre observa que “toda família empresária é uma empresa familiar, mas nem toda empresa familiar se torna uma família empresária”, justamente porque ser uma família empresária implica em tomar decisões a longo prazo, um compromisso coletivo com a continuidade, para que o negócio possa atravessar as gerações.

O palestrante

Wagner Luiz Teixeira também é especialista em estruturação de protocolos societário familiar e implantação de estruturas de governança. Apresentou casos brasileiros na Conferência Mundial do Family Business Network (FBN). É co-autor do livro “Família, Família negócios à parte” e coordenador e co-autor do livro “Família Empresária de A a Z – descomplicando as expressões nas empresas familiares”.

Conexão Cindes

“Sucessão Familiar: Como transformar empresas familiares em famílias empresárias, construindo processos de sucessão e a continuidade”

Data: 23 de agosto (Quinta-Feira)

Hora: 18h30

Local: Auditório da Findes – Reta da Penha, Vitória/ES.

Inscreva-se aqui!

Por Fiorella Gomes

V1 é a nova parceria para os associados Cindes

Os associados Cindes agora contam com a parceria do V1, um serviço de transporte executivo por aplicativo desenvolvido sob medida para atender demandas de mobilidade, tendo como diferenciais motoristas profissionais contratados, veículos padronizados e com manutenção preventiva periódica, além de atendimento personalizado.

O objetivo da mais nova parceria é oferecer aos empresários associados uma série de produtos e serviços para melhorar sua competitividade, além de 15% de descontos em qualquer viagem.

O Grupo Águia Branca, um dos maiores conglomerados de transporte e logística do país, com 72 anos de história, se reinventa e traz para o V1 uma solução inovadora de mobilidade urbana, que une as vantagens dos serviços compartilhados com a sua expertise em transporte de pessoas.

Para o Grupo Águia Branca, a estagnação econômica dos últimos anos é encarada como oportunidade para investir no Brasil e nas pessoas. Segundo Patrícia Poubel Chieppe, diretora Executiva da Divisão Logística, as empresas do Grupo estão preparadas para a retomada do crescimento. “Retração só gera retração, então estamos em constante busca por oportunidades inovadoras. São em tempos de crise que redobramos nossa faceta empreendedora, e o V1 é uma corajosa resposta do Grupo ao cenário que atravessa nosso país”.

V1 e o DNA da inovação

O V1 é fruto do VIX Labs, primeiro laboratório de inovação do Grupo Águia Branca, criado em 2017. O laboratório visa desenvolver e aplicar metodologias de geração de ideias e prototipagem de novos produtos, serviços e processos, fortalecendo a cultura da inovação em todo o Grupo. O V1 foi totalmente planejado e concebido pelo VIX Labs, e depois dos testes, alçado a ser um negócio de mercado.

Mais informações estão disponíveis no www.andev1.com.br.

Quero me associar

O Cindes é o ponto de encontro do empresariado capixaba, auxiliando no desenvolvimento de empreendedores para o futuro e se posicionando politicamente em diversos projetos voltados para a indústria local. O Cindes conta também com o Cindes Jovem que visa fomentar o empreendedorismo nos jovens capixabas, a fim de formar novos líderes e gestores para influir no desenvolvimento sustentável do Estado.

Dentre os seus objetivos, destacam-se a Rede de Negócios e a busca por benefícios. Seja um associado e tenha benefícios exclusivos para você e o seu negócio!

 

Por Cinthia Pimentel

 

 

 

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